A busca pela Verdade deve se sobrepor à busca por estar certo

Diante de tantas correntes de pensamentos e tantas opiniões, faz-se mister o reconhecimento de uma verdade superior, uma verdade universal: a Verdade Divina. E essa Verdade nos revela que todo o homem nasce com sede de verdade.

Todo o homem em sua vida busca a verdade, pois o próprio Deus colocou impresso essa sede em seu coração, numa lei natural, para que ele O pudesse encontrar. Esta é a ordem natural do homem: repousar em Deus. Como diz Santo Agostinho:

“Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.”

É verdade que o pecado original deixou uma mácula no coração humano tornando-o desordenado pelo pecado, fazendo com que ele acabe por ser atraído a satisfazer seus desejos carnais acima dos anseios da alma. Isso tem como consequência viciar a busca pela verdade que todo homem tem no seu ordenamento natural, fazendo com que essa busca pela verdade caminhe junto com a busca da satisfação de sua carne, ou de sua alma carnal, termo mais adequado.

A consequência dessa desordem é uma busca pela verdade até onde a mesma satisfaça seus desejos pessoais. Isso explica muito os problemas da humanidade em todas as gerações, mas muito em especial da sociedade atual, marcada por um ateísmo prático, um hedonismo forte e a busca pelo prazer como meta principal. Uma sociedade onde as ideologias estão tomando o lugar da verdade imutável de Deus no coração do homem. Assim, a verdade só tem sentido se ela satisfaz os desejos pessoais do homem, ou seja, a verdade para a sociedade atual não é mais subordinada à transcendência, mas à imanência, mais precisamente, à concupiscência do homem.

Um debate, nos dias de hoje, é uma forma bem simples de observar o que tem gerado essa subordinação da verdade à concupiscência. Vejamos.

Uma pessoa possui argumentos contundentes com relação a um tema específico, fortemente embasado, e resolve discutir com outra pessoa que também julga ter argumentos fortemente embasados. Se diante dessa situação, um dos lados perceber que o argumento do seu debatedor é melhor, ao invés de humildemente procurar conhecer o que seu debatedor expõe, especialmente sua base de conhecimento, ele parte para o desmerecimento do conteúdo do debatedor, especialmente classificando-o com títulos reducionistas, tudo isso para manter sua verdade subordinada a si mesmo.

Essa realidade não é inerente a um grupo específico, apesar de ser mais observada em alguns com colonizações ideológicas de base marxista. É algo existente em todo homem e todos os grupos e classes da humanidade e contra qual todo homem é convidado a lutar. Precisamos convencer a humanidade a parar de lutar para  estar certo e passar a lutar para estar na verdade, mesmo que ela exponha o seu erro.

Para despertar as pessoas à Verdade, é sumamente importante que se convençam a subordinarem suas opiniões, ou “verdades” pessoais, a uma Verdade superior, mesmo que inicialmente não se abram à Verdade Católica: Verdade por excelência. O simples fato de uma pessoa se convencer de que deve buscar uma verdade que habita nela, mas é superior a ela, já fará com que naturalmente, atraída pela Verdade devido à sede que habita em todo homem, ela, pessoa, A encontrar em Cristo Senhor na Igreja Católica, “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15).

Antes de iniciar qualquer discussão, é fundamental conhecermos não no que outro crê e sim no que o outro não crê, pois a descrença é a base para avaliarmos se uma discussão será frutífera ou não. Um homem sem fé é um deus em potencial, pois nada é superior a seu ego e se não há nada superior a seu ego, nada pode convencê-lo de estar errado ou de descobrir seu erro.

Assim, sempre devemos nos questionar: Eu estou certo? Com esse questionamento nós abrimos espaço ao conhecimento da Verdade que se utiliza da razão do homem e de sua fé, dom de Deus, para dentro de si encontrar O que está acima de si e de tudo.

Dr. Rômulo é pediatra e estuda diversos temas sobre a Santa Igreja, de forma especial Doutrina Social. Casado com Rizia, pai de Maria Eduarda.

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