Caridade ao próximo é Consagrar-se a Maria

“Da mihi animas, cætera tolle” (“dai-me almas, Senhor, ficai com o resto”) era o lema de São João Bosco para sempre inspirar em sua Sociedade o ardor evangélico, o qual é o de alcançar almas afim de conduzi-las a Cristo. Nesse sentido, era de nos fazer enrubescer ver que os ímpios fazem suas maldades com maior desenvoltura do que os cristãos em trabalhar pelo Reino. Entretanto, se nós não temos o ânimo de S. João Batista, o santo de Montfort deixa-nos um meio imediato de converter pecadores: a total Consagração a Nossa Senhora.

A prática da penitência é-nos muito salutar, pois além de mortificar o corpo, disciplinando-o a rejeitar o mal, faz-se adquirir um valor satisfatório que se pode oferecer para aplacar as penas de Deus; quando oferecido a outrem, pode lhe conquistar a conversão.

Em vista da debilidade humana, é sempre vantajoso entregar o valor satisfatório de nossas obras a Maria, boa administradora de nossos bens. Faz-se isso com a caridade mais excelente pela Verdadeira Devoção, na medida em que ninguém faz com amor maior do que aquele que se esgotou em favor do próximo.

Como por esta total Consagração entregamos a Nossa Senhora inclusive nossos bens espirituais, passados e futuros, que são o que temos de mais valioso, temos a certeza de que Ela terá a liberdade de aplicar todas as nossas satisfações e de modo efetivo a quem Deus quer converter, em qualquer lugar do mundo.

E ainda há a seguinte vantagem em se contribuir pela conversão dos pecadores por este meio: como a graça divina agirá longe do nosso conhecimento, o Escravo de amor fica poupado de ter sua obra manchada pela vaidade e soberba, que acompanham nossa natureza decaída.

O valor satisfatório também é usado por Nossa Senhora para dar às almas do purgatório refrigério e libertação; esses socorros Ela consegue obter com muito mais sucesso por atrair de Deus maior misericórdia, a despeito da pequenez de nossa oferta.

Uma alma padecente que se liberta e sobe ao Céu obriga-se, em agradecimento, a ser uma intercessora insistente junto a Deus em favor daquele que cooperara em livrá-la do cárcere torturante em que se encerrava. E essa espécie de amigo celeste podemos ter sem restrições de número, tantos quantos nossa generosidade lhes valer.

Que consolo no leito de morte lembrarmos que tantas almas rogam por nós o mesmo Céu que lhes possibilitamos! Que alegria teremos em nosso juízo particular, ao sabermos que uma multidão de pecados fora encoberta pela nossa caridade! Que contentamento ao bom Escravo poder esperar que seu Senhor regozija-se enfim com as almas que Ele ansiosamente aguardava chegarem aos aposentos de sua glória!

* Referência: Tratado da Verdadeira Devoção à Stma. Virgem, São Luís Maria G. de Montfort, nn. 171 e 172.

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