Milagre em casa

1º de maio de 2014

Era 01/05/2014. Maria Clara tinha 1 ano e 1 mês, ainda não sabia andar, sempre foi um bebê normal, fazia tudo o que todos os bebês faziam, inclusive ficar doentinha. Tinha sua rotina de alimentação e soninho. Quanto mais crescia, menos tempo dormia durante o dia, mas naquela idade ainda adorava um soninho gostoso. Já não aceitava mais o peito da mamãe, só mamava na mamadeira e comia suas comidinhas, além de ser apaixonada por sua chupetinha.

A mamãe sempre ficou em casa com ela, cuidando e dando todo o carinho necessário. Naquele dia, porém, algo estava diferente.

Desde cedo, Maria Clara não aceitava alimento algum. Nem leite, nem água, nem papinha ou frutinhas, nada. Chorava incansavelmente, parecia ter fome, tentava começar a se alimentar, mas parava, visivelmente incomodada com a comida em sua boca. Qualquer alimento, sólido ou líquido era provado e prontamente rejeitado. Notava-se sua agonia. Também, pudera. Você tem fome, quer comer, mas não consegue.

Tinha sono, tentava dormir, mas não conseguia. Mal fechava os olhos já acordava gritando desesperada. Maria sempre dormiu usando chupeta, que era a única coisa que não podia faltar no seu soninho. Mas nesse dia, nem isso. Colocávamos a chupeta na sua boca e ela parecia se acalmar, o que durava alguns segundos, e logo o desespero começava.

Por si só, o fato de um filho não querer se alimentar já seria preocupante para quaisquer pais, afinal todos precisam do desjejum ao amanhecer. Que dirá observar um bebê que não come, não dorme e chora desesperadamente. Esse sim era um dia de agonia.

É memorável a situação angustiante que passava a mamãe com a pequena no colo, tentando acalmá-la, mas nem ela própria conseguia conter seu desespero e suas lágrimas com o sofrimento da filha.

O mesmo podia-se falar de mim. Ficava ali, rodeando por todo lado, de um canto a outro, sempre chegando perto e saindo, como que um cão rodeando sua cria pequena junto da mãe. Ia e vinha, inutilmente, perguntando coisas, tentando adivinhar, consolando, tentando animar, segurando e contendo minhas forças, para poder sustentar tanto a filha quanto a mãe em seus choros simultâneos.

O tempo passava e com ele todos os horários de cada alimentação e sono: desjejum, lanche, almoço, lanche, jantinha, ceia. Um dia todo da pequena princesa sem comer, sem dormir, só chorando. Faltavam-lhe lágrimas para chorar.

Da manhã até a noite, só sabíamos olhar e querer entender, tentar consolar e pedir a Deus que melhorasse aquela situação.

Em sua boca havia pequenas feridas, que obviamente incomodavam e faziam parte do que passava.

Sempre pensávamos: “bom, uma hora ela vai cansar e vai acabar dormindo, uma hora ela vai lutar e acabar, pelo menos, bebendo algo…”. Engano nosso. Assim continuava.

Entramos em contato com a pediatra, que ainda por telefone diagnosticou estomatite, pois estava longe, em viagem, se bem me lembro. Ela nos disse para nos prepararmos, pois poderiam ser alguns dias daqueles, de batalha. Medicamentos sozinhos não faziam efeito. Era necessário tempo. E a pequena continuava na luta. Que desespero foi saber que aquilo era realmente sofrível para a pequena e que ela provavelmente ficaria de 3 a 4 dias, que era o tempo estimado para recuperação da estomatite.

Era bem tarde. Já nem pensávamos mais em fazê-la comer, somente dormir, para que tivesse pelo menos um pequeno momento de descanso e paz.

Exatamente às duas horas da madrugada Maria Clara ainda tentava dormir. Chorava e gritava incansavelmente. Em alguns instantes no colo, conseguíamos fazer com que ela fechasse os olhos, mas isso durava cerca de 5 a 10 minutos.

 

“Homem de pouca fé”

Homem de pouca fé!. .. Eu não te disse que se creres verás a Glória de Deus?… Tudo o que me pedires com fé Eu vo-lo concederei… ainda que digas a esta montanha: arranca-te daqui e vá para lá, se tiveres fé ela obedecerá…”

Quando a ficha caiu, começaram a vir a minha mente algumas palavras de Deus para mim.

Pensei: “Ora, se uma montanha pode ser movida pela fé, se podemos curar doenças, expulsar demônios, enfim, se tudo podemos por meio dela, por que ainda estamos aqui chorando e remoendo o sofrimento de nossa filha? Por que não acreditarmos e fazermos realmente o que nunca fizemos, mas podemos fazer?”

Naquele momento percebi que homem de pouca fé era eu. Percebi quantas vezes me disse cristão, católico, me disse servo, acreditar em Deus e tudo o mais, mas nunca tinha feito algo com tamanha convicção como o que eu estava prestes a fazer. Queria a cura, mas não acreditava nela. Pedia por Deus, mas não esperava que ele fizesse algo. O que eu fazia era sempre, sempre, sempre cumprir um protocolo. Se eu acreditava realmente em Deus, aquele era o momento em que eu tinha que ter certeza nisso.

Sempre vi a doença como uma consequência da vida humana. Ou seja, todo ser vivo pode ficar doente. Sempre acreditei, como ainda acredito, que se for da vontade de Deus, qualquer um pode se curar. Podemos pedir e Ele vai atender. A oração de súplica tem o poder até de fazer que Deus mude seu plano, para sua própria glória e para que nós acreditemos.

Mas, aquele era um momento em que não era somente esperar se Deus queria ou podia fazer algo. Aquele era o momento de mostrar pra Deus e pra todos que eu acreditava e confiava n’Ele, e que por Ele eu poderia curar minha filha.

Naquele momento eu tinha certeza! “Plena certeza” de que ela seria curada por meio de nossas mãos, pelo poder de Deus. Naquele momento todo o nosso sentimento (e sofrimento) com as dores do corpo e da mente mudou.

 

A cura pela imposição das mãos

Deitamos a pequena Maria Clara, que acabara de cochilar no colo da mãe, na cama, mergulhamos sua chupeta na água benta, colocamos em sua boca e, com toda fé, primeiro fizemos a entrega do nosso sofrimento à Mãezinha do céu, que passou pelas piores dores da Terra; desde as perseguições sofridas quando Jesus ainda era criança, sua perda no Templo, até sua condenação, sofrimento e morte na cruz. Pedimos que a Mãe do menino Deus, que conhecia toda a dor que minha esposa Marcela sentia pela pequena princesa Maria Clara, intercedesse junto ao seu Filho, para que em sua grande Onipotência operasse por meio de nossas mãos o milagre da cura, aliviando nosso sofrimento.

Então, ainda dentro daquele espaço de tempo em que ela deitada na cama tentava mais uma vez dormir mais que 5 a 10 minutos, com a certeza de que a Mãe do céu intercedia por nós, que o nosso Senhor Jesus, Deus Filho com o Pai e o Espírito Santo, nos ouvia e nos atenderia, impusemos as mãos sobre ela e proclamamos a cura.

Lembro-me com detalhes do que passava por minha cabeça e das palavras usadas naquele momento:

“Senhor, sabemos que o Senhor não ama a doença, mas que ela é uma consequência da vida. Sabemos que o Senhor permite que ela aconteça e ela pode ser causa de santificação para todos. Temos certeza de que ainda que haja culpa de alguém por estar doente, ainda que exista o merecimento de alguém pela doença, essa pessoa, com certeza, não é a pequena Maria Clara. E que ela, com certeza, não faz ideia do que sofre, mas sofre. Ela sim, ainda que exista quem mereça, não merece. Mas sabemos também que essa doença pode ser por sua glória. Ainda que seja por culpa nossa, dos nossos pecados, ou para nossa santificação, assim acreditamos. Nesse momento nós sabemos que por nossas mãos de pais, pela intercessão da sua Santa Mãe e pelo Seu infinito poder, nós podemos! Maria Clara, fique curada! Nesse momento, nós te declaramos curada da sua doença em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.”

E Traçamos sobre ela o sinal da Trindade Santa. Assim fizemos, naquele momento, sem nenhuma dúvida, mas com toda certeza. Jesus estava ali, pelas nossas mãos.

Tudo isso ocorrera num pequeno intervalo de tempo. Passavam-se poucos minutos das duas horas da madrugada e a pequena Maria Clara, que havia dormido, não acordou mais. Ela que soltava a chupeta, assim que esta tocava sua boca, não soltou mais. Na verdade, não soltou naquele momento, mas soltou instantes após, porém dessa vez porque dormia profundamente. Um sono tão gostoso que a chupeta caíra de lado. Dormia de boca aberta. Ainda dava alguns pequenos sorrisinhos durante o sono. Ela que se contorcia de dores, não se contorceu mais.

Felizes, deixamos que dormisse um pouco, afinal estava cansada. Com fome também, mas cansada. Então depois de uma hora, por volta das três da madrugada lhe demos uma mamadeira. Ela que não tomava líquidos ou comia há mais de 24 horas mamou toda a mamadeira e continuou a dormir (a última mamadeira havia sido na noite do dia anterior, antes de dormir).

 

Obrigado Senhor, pela cura que nos destes!

Aliviados pelo descanso de nossa filha e realizados pelo milagre acontecido por nossas mãos, ríamos de alegria um com o outro. Cansados, mas revigorados. Exaustos, mas com todo o pique. Nem mesmo dormimos, mas acompanhamos cada momento de sono da pequena, contemplando assim o milagre acontecido. Alternávamos poucos momentos de sono, para podermos descansar e acompanhar o sono da princesa, que nos descansava, só de observarmos.

Demos novamente uma mamadeira às 5h, para repor todo o tempo sem alimentação, às 8h pelo horário do café e às 11h para o almoço. Não sabíamos a que horas ela acordaria, nem se precisávamos fornecer-lhe tanto alimento, mas assim o fizemos. E ela, que nada aceitava antes, agora fazia tudo com toda disposição, e dormindo.

Não me recordo a que horas ela acordou, mas me recordo bem de que já passava do meio dia e ela ainda dormia. Desde às três horas da manhã.

Quando ela acordou constatamos que não havia mais nada em sua boca. As reclamações e choros tinham acabado. E tudo voltou ao normal. Seus sorrisos, brincadeiras, alimentação e sonecas. Tudo normal no outro dia. Sua alegria, nossa alegria.

Uma estomatite que, pelo que ouvimos de médicos e lemos na internet, causa sofrimentos horríveis a bebês da idade dela, e que leva de 3 a 4 dias para acabar, foi-se em um dia.

Ainda que não fosse estomatite, que fosse qualquer outra coisa, alguma coisa foi. Algo que causou um sofrimento horrível por um dia inteiro. Mas foi algo que, com toda certeza, acabou naquele exato momento, pelas nossas mãos.

O que causou tudo aquilo, ninguém pode afirmar com certeza. Mas o que acabou com tudo aquilo, isso sim, podemos afirmar sem dúvida alguma: Nosso Senhor Jesus Cristo!

Obrigado Senhor, pela cura que nos destes. E mais do que isso, por permitir que nós percebêssemos que precisávamos aumentar a nossa fé.

Breno Nunes Magnago, Servidor Público, Católico Apostólico Romano, apaixonado pela Santa Igreja, Unido em Santo Matrimônio à Marcela Martins Cetto Magnago, pais de Maria Clara, Rafael e Mariana.

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