O CRIME ABOMINÁVEL DO ABORTO

O CRIME ABOMINÁVEL DO ABORTO

Fiz questão de colocar como título essa frase forte e muito provocativa, que foi proferida por alguém com autoridade para isso, pois foi São João Paulo II quem a disse, para que não só gerasse uma reação no leitor, mas também para fazê-lo descobrir que essa não é apenas uma frase de efeito, mas sim uma verdade absoluta: o aborto provocado é um crime abominável e buscarei nesse texto provar não só o porquê de ser um crime abominável, mas também buscarei mostrar porque um crime tão abominável está sendo colocado como um direito a ser adquirido e em paralelo retirado o seu devido peso das consciências das pessoas, especialmente das mulheres.

Nos tempos atuais muito se tem discutido sobre a descriminalização do aborto provocado como remédio para muitos males da humanidade como o machismo, miséria, fome, doenças, abandono e entre outros, onde em nome da saúde pública ou em nome da liberdade da mulher se pede a sua descriminalização. O interessante de toda essa discussão é que o fundamental poucos discutem e quando discutem, o fazem com forte viés ideológico. Antes de se discutir a descriminalização do aborto, é necessário se discutir se o embrião ou o feto humano no útero da mulher é uma vida humana ou não, pois sendo vida humana, o aborto é um assassinato e a legalização de um assassinato é algo absurdamente imoral e impensável.

Como disse, boa parte dessa discussão de onde se inicia a vida, se faz com forte viés ideológico, pois não se faz com todos meios possíveis para um discernimento seguro e os meios seguros para esse discernimento são a ciência e a filosofia, que fazem parte do patrimônio cultural da humanidade e a teologia católica que traz um contributo fundamental para toda essa discussão pois nenhuma instituição em toda a história da humanidade defendeu mais a vida humana e os direitos humanos que a Igreja Católica.

Na ciência há uma área exclusiva de estudo dos embriões humanos e se chama Embriologia Humana e nela é possível aprender que todo esse processo de evolução embrionária se inicia com a união dos gametas masculino (espermatozoide) e feminino (óvulo), com metade do material genético de uma célula comum do corpo humano que é de 46 cromossomos. Esse processo de união recebe o nome de fecundação que tem como fruto o zigoto. O zigoto é uma célula com material genético único e com capacidade de se multiplicar e evoluir em estágios subsequentes e a partir dele temos uma sequência de evoluções que vão fazendo aquela célula se multiplicar e diferenciar formando tecidos, membros, sistemas até o seu nascimento e se continuará até a sua morte. Assim nos ensina, de forma resumida, o meio científico.

Na filosofia o que se busca é descobrir a verdade das coisas através, basicamente, de perguntas que se busca responder com sinceridade visando o fim último, a verdade. Na questão sobre a vida a pergunta é simples: Em que momento começou a nossa vida?

A resposta se dá num retroceder nossa própria vida visando chegar no princípio da mesma. Podemos fazer isso da seguinte forma: consideremos nossa vida como um seguimento de reta com um ponto inicial e final fixos, onde o ponto inicial é o início de nossa vida e o final a nossa morte. Para descobrir esse ponto inicial retrocedamos nessa linha, até um ponto onde ao passar com uma “tesoura” não haverá um corte na mesma gerando um ponto final que é nossa morte. Só há um ponto onde essa linha inicia e qualquer corte que se possa fazer antes desse ponto não encerraria o curso da nossa vida e esse ponto se chama FECUNDAÇÃO com seu fruto o ZIGOTO. É importante notar que essa avaliação filosófica está em unidade com a científica, como nos mostra Dr. Keith L. Moore, considerado um dos pais da Embriologia Humana, que fez a seguinte afirmação no livro The Developing Human: Clinically Oriented Embryology:

 “O desenvolvimento humano começa na fecundação, que é o processo durante o qual um gameta masculino ou espermatozoide se une a um gameta feminino ou ovócito (óvulo) para formar uma célula nova e única, chamada zigoto. Esta célula totipotente altamente especializada é o marco inicial da vida de cada um de nós como indivíduos únicos”

É de conhecimento de todos a forte oposição da Santa Igreja Católica ao aborto provocado e as leis que visam sua descriminalização e há inúmeros Documentos da Igreja e manifestação de seus pastores onde Ela expõe todo Seu conhecimento seja científico, seja filosófico, seja teológico para sua oposição. Como já demonstrei nesse texto, não precisa de razões teológicas para se opor ao aborto provocado, as razões científicas e filosóficas já são o suficiente, mas deixo a posição da Santa Igreja sobre o aborto que está escrito em seu Catecismo para resumir seu posicionamento: “O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação: «Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do ato criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte».” (CIC 2273).

A inalienabilidade do direito à vida que o homem possui, como afirma a Igreja, está no fato de um ser humano ser também uma pessoa e a pessoa só existe a partir do momento em que surge vida, assim a vida da pessoa se inicia no momento em que ocorre a fecundação, como já demonstrado acima pela ciência e pela filosofia.

Um fator agravante com relação ao aborto é o fato de que essa pessoa humana no ventre de sua mãe é uma pessoa inocente e o mais inocente dos inocentes e nenhuma circunstância ou razão pode justificar o assassinato de uma pessoa inocente e nesse caso, estamos falando da pessoa mais inocente dentre os inocentes. As palavras de São João Paulo II em sua Encíclica Evangelium Vitae nos ajuda a compreender a gravidade desse assunto:

“O aborto provocado é a morte deliberada e direta, independentemente da forma como venha realizada, de um ser humano na fase inicial da sua existência, que vai da concepção ao nascimento.

A pessoa eliminada é um ser humano que começa a desabrochar para a vida, isto é, o que de mais inocente, em absoluto, se possa imaginar: nunca poderia ser considerado um agressor, menos ainda um injusto agressor! É frágil, inerme, e numa medida tal que o deixa privado inclusive daquela forma mínima de defesa constituída pela força suplicante dos gemidos e do choro do recém-nascido. Está totalmente entregue à proteção e aos cuidados daquela que o traz no seio e todavia, às vezes, é precisamente ela, a mãe, quem decide e pede a sua eliminação, ou até a provoca. (São João Paulo II, EV p58)

Com tudo o que foi exposto, tanto com argumentos laicos, quanto com argumentos religiosos, fica claro que o aborto provocado é um crime abominável, e não precisa de ser cristão para verificar isso, e um país que permite lei que o descriminaliza é sinal de decadência moral e social do mesmo, mas devemos conhecer como é possível que algo tão evidentemente abominável pode ser discutido de forma tão ampla e com tantos grupos de pessoas favoráveis a ele e como nós cristãos e todas as pessoas de boa vontade podemos e devemos agir para livrar nosso país de lei tão iníqua.

A Comissão em Defesa da Vida da Regional Sul-1 da CNBB redigiu em 2012 um documento que detalha as estratégias mundiais para promoção de controle populacional com promoção dos métodos anticoncepcionais e do aborto.

Esse documento pode ser encontrado nos seguintes endereços: https://s3.amazonaws.com/padrepauloricardo-files/uploads/2z6zfoqcyu7hxot95z3c/a-novaestrategia-mundial-do-aborto.pdf

Esse documento é extenso e não é possível detalha-lo aqui, mas nele encontramos verdades assustadoras de como os métodos anticoncepcionais e o aborto foram sendo difundidos paulatinamente na sociedade mundial desde 1952 com a roupagem de “proteção à saúde da mulher”, “planejamento familiar” e “redução da pobreza”, com uma agenda organizada que envolve estatísticas falsas desenvolvidas em estudos realizados por cientistas conceituados e financiados para isso, interferências em governos locais e propaganda ostensiva, para fazer minar nas consciências dos homens e mulheres o mal moral grave que há neles. Fundações bilionárias estão por trás de todo esse plano a que chamamos Cultura da Morte. Graças ao poder de influência que essas fundações bilionárias possuem junto às nações, às organizações mundiais e aos organismos políticos, organismos importantes a nível mundial sofreram e sofrem grandes influências dessa Cultura da Morte e são braços importantes de sua difusão, entre elas estão a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Toda essa agenda pró Cultura da Morte precisa vencer três obstáculos para uma plena vitória na promoção do aborto que são:

1) O constante avanço da ciência que sempre confirma que o início da vida humana começa na fecundação, como já explicitado no início desse texto;

2) A natureza da mulher, pois é evidente o mal gerado na saúde física e psíquica da mulher que praticou o aborto, já que é inerente a sua natureza feminina a defesa do filho gerado em seu ventre e;

3) A Igreja Católica, uma instituição bimilenar que desde sua fundação luta pela promoção da vida e contra a Cultura da Morte e jamais abandonará essa luta e conta não só com as forças humanas, mas acima de tudo, com o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Aqui no Brasil essa Cultura da Morte vem ganhando força nos últimos anos, especialmente a partir de 2005, por subserviência do governo brasileiro e de partidos políticos ligados a essas fundações bilionárias como é o caso do Partido dos Trabalhadores (PT) citado no referido documento, além de interferências de organismo mundiais no nosso governo e ganhou contornos dramáticos após um outro partido político ligado a essa Cultura da Morte, o PSOL, entrar com uma ação junto ao STF (Supremo Tribunal Federal), a DPF 442, para por essa via, não natural num regime democrático, legalizar o aborto no Brasil.

A Igreja Católica no Brasil vem se pronunciando com coragem contra essa “agenda da morte” seja pela CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), seja pelos seus pastores de forma individual, especialmente diante do risco de aprovação dessa prática abominável ser permitida via STF. Quero destacar aqui a posição do Excelentíssimo Reverendíssimo Arcebispo Emérito da nossa Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo, Dom Luiz Mancilha Vilela que, com coragem, convocou em 2018 o povo católico a se opor radicalmente ao aborto e afirmou: “Alerto os cristãos católicos, meus irmãos e irmãs, que as mulheres aflitas ou vítimas do machismo e maldade humana, têm direito ao cuidado, respeito, acompanhamento psicológico e espiritual, mas jamais se poderá resolver um problema humano com a morte e assassinato de inocentes e indefesos, que são, neste caso, os fetos em processo de desenvolvimento vital no seio materno”.

Quero destacar aqui a importante participação da CNBB na audiência pública no STF em 2018, no contexto da ADPF 442, com seus dois representantes, o bispo de Rio Grande (RS), dom Ricardo Hoepers que apresentou razões de ordem ética, moral e religiosa para não avançar as leis próaborto e o padre José Eduardo de Oliveira que denunciou o ativismo judicial do STF e expôs os falsos estudos e as falsas estatísticas apresentadas pelas entidades da Cultura da Morte com estatísticas verdadeiras, evidenciando assim aquilo que está denunciado no documento feito pela Comissão em Defesa da Vida da Regional Sul-1 da CNBB, como fruto de uma ação orquestrada por fundações bilionárias em parceria com organismos internacionais e cientistas conceituados. É possível ler as participações na íntegra no seguinte endereço: http://aves.org.br/noticia/discursos-dos-representantes-da-cnbb-na-audiencia-publica-que-debatea-descriminalizacao-do-aborto

Diante de tantas forças em prol da Cultura da Morte, como nós católicos podemos agir de forma prática para que essa demoníaca cultura seja detida?

Nós católicos precisamos compreender que toda essa agenda só avançou porque pessoas favoráveis a ela ocuparam espaços estratégicos para favorecem-na como na mídia, na política, no sistema educacional, no sistema judiciário, enfim onde eles puderam exercer tanto influência de poder civil quanto influência de formação de opinião e assim, mesmo eles sendo minoria, conseguiram avançar muito com a sua agenda.

Compreendido isso, o que nós católicos precisamos é reocupar esses espaços que nós perdemos ou cooperar com aqueles que lutam para reocupá-los, assim, nós devemos no campo da mídia colaborar com as redes católicas de comunicação, seja de TV, rádio ou internet e boicotar as mídias que favorecem essa Cultura da Morte, deixando de assistir as programações das mesmas; na política devemos seguir a orientação da Igreja que nos pede para não votar em partidos políticos, como o PT e o PSOL aqui citados, ou candidatos que favoreçam uma agenda pró-aborto e devemos acima de tudo votar em candidatos que se comprometam com a agenda pró-vida; no sistema educacional devemos não só agir na promoção de uma educação pró-vida, colaborando com os crescimentos de escolas que se comprometem com ela, mas também devemos fiscalizar a presença de uma agenda pró-Cultura da Morte em nossas escolas, em especial nas escolas católicas para que sempre estejam de acordo com os valores católicos da qual estão subordinadas; no sistema judiciário devemos ter advogados e juízes comprometidos com os valores pró-vida e organizados para que juntos possam se opor ao que hoje estão comprometidos com a agenda pró-Cultura da Morte. Outra colaboração muito importante é a ajuda àqueles que estão na linha de frente lutando em favor da vida nos vários movimentos pró-vidas espalhados no Brasil e no mundo.

Finalizo esse texto com uma reflexão de Santa Madre Teresa de Calcutá sobre o aborto e com essa reflexão eu desejo que o leitor permita Deus tocar fundo em sua alma sobre a dimensão do mal que é o aborto:

“Mas eu sinto que o maior destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança – um assassinato direto da criança inocente – assassinato pela própria mãe. E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo sua própria criança, como nós podemos dizer para outras pessoas que não matem uns aos outros?…” Santa Madre Teresa de Calcutá.

Deixe uma resposta

Fechar Menu
×

Carrinho