O Médico que saiu do coma

Coma é definido como “o estado de inconsciência de si mesmo e do ambiente, mesmo após estímulos de diversas modalidades e intensidades, em que o paciente permanece de olhos fechados.”

Era tido como muito humano
Atendia bem para sempre atender
A cada paciente que o conhecia
Mais dez o queriam conhecer

Pelos colegas também muito querido
Referência e sempre pronto a ajudar
Disponível porque, afinal,
Ele também um dia pode precisar

Sempre atualizado, frequentava
E apresentava em mil congressos
À ciência tanto se dedicava
Para acompanhar os progressos

Na família, super correto
Nada deixava faltar
Viajava sempre com a esposa
E aos filhos, boa escola e um celular

Amava esportes, futebol o preferido
Pagava os impostos, bom cidadão
E de sexta a domingo, sem exageros
Tinha a sua compensação

Ia à missa aos domingos
Também tinha a sua fé
Nas horas vagas numa pastoral
Servia bolo e café

Mas um dia, que grande tragédia
Graças ao airbag, pôde se salvar
E o nosso médico sedado ficou
Por três dias sem a luz enxergar

Quando acordou já não era o mesmo
Em meio ao escuro, um holofote se acendeu
Nunca fora tão iluminado como quando
Naquele sonho Cristo lhe apareceu

Descido do céu, o próprio Redentor
Com as chagas abertas, o afagou
Finalmente conhecia, o nosso doutor
Aquele que um dia, com a sua morte o salvou

Em um encontro tão íntimo
O Verbo lhe faz um clamor
Aspirai as coisas do Alto
E descubra enfim o Amor

Está além de suas capacidades
Mas os dons Eu te darei
Basta que creias em Mim
E tua Vida salvarei

Não como salvas o corpo
Que hoje existe e amanhã fenece
Mas ordenando todo o teu ser
Darei a Vida que não perece

À Vida o médico voltou
E Continuava atendendo bem
Mas pela graça, sobre-humano se tornou
Ao ver Cristo, ia sempre muito além

Estranho ao mundo ficou
E aos colegas exortava
Disponível porque, afinal
A Boa Nova levava

A ciência ainda era um dom
Que elevara de patamar
Porque do Amor transbordava
Para não mais cessar

Finalmente era esposo e pai
Sempre e a todo momento
Torcia pelo seu time
Mas não se dava a tormento

Ansiava pelos domingos
Para em família ficar
E juntos todos iriam
Da missa participar

E lá se achegava
Para como o bom ladrão se portar
Confessando suas misérias
E no altar as entregar

Alegre e livre com a esperança
De um dia o céu habitar
Sustentado pelo Cristo
À sua cruz amparar

Eis o nosso médico
Curado, pode agora curar
Até findar o bom combate
E eternamente descansar

Queridos amigos médicos, dentistas, enfermeiros e profissionais que lidam com as ciências médicas de modo geral, como é grande no mundo a luta pela fé! Respiramos os ares do relativismo e, sem perceber, corremos o risco de tornar a fé apenas um dos muitos fragmentos em que se divide nossa vida. Assim como temos uma profissão, uma posição política, uma comida favorita, um time predileto e outras preferências, temos uma “posição religiosa”. Contentamo-nos, mesmo sem perceber,  com uma “vida pagã fantasiada de cristã”, como diz nosso querido Papa Francisco. Sim, fantasiada. Porque essa não é Verdade revelada.  A Verdade, que alegra e liberta, também exige uma adesão total, porque “tudo foi feito por meio Dele e sem Ele nada foi feito”. Uma adesão à Verdade que se permita permear e se transformar desde o interior até transbordar de todo o nosso ser, iluminando todos os nossos atos. A Verdade que exige uma “morte” e impõe um “nascer de novo”.

Amigos, em nossas profissões são muitos os inimigos que nos seduzem e conduzem a uma vivência fragmentada da fé. Mais que isso, a uma vivência desvirtuada, empobrecida e reduzida. Em nossos meios profissionais, todos os dias, a fé se vê sacrificada nos altares do secularismo, do materialismo, do cientificismo ou do ativismo. Eis os riscos principais a que corremos pelo simples motivo de estarmos expostos a eles. Devemos estudar e combater juntos esses inimigos que distorcem ou mesmo destroem a grande dignidade a que Cristo nos elevou.

Convido-os a, nos próximos artigos, estudarmos em detalhes cada um desses inimigos tão presentes em nossas profissões. Vigiemos e oremos. Unamo-mos na Santa Igreja, Corpo Místico do qual Cristo é a cabeça e nós os membros. A Vida, a verdadeira, a única que deveria mesmo ser chamada de Vida, só pertence aos membros se eles estiverem unidos à cabeça. Hoje, também como ontem, Cristo nos chama. Ele nos exorta: “segue-me”. Para depois nos enviar: “ide pelo mundo”.

Termino citando nosso querido Papa Emérito Bento XVI: “Com efeito, no nosso tempo é necessária uma renovada educação para a fé, que inclua sem dúvida um conhecimento das suas verdades e dos acontecimentos da salvação, mas sobretudo que nasça de um encontro verdadeiro com Deus em Jesus Cristo, do amá-lo, do ter confiança nele, de modo que a vida inteira seja envolvida por Ele”.

Que Maria Santíssima seja nossa Mãe, Mestra e Guia!

Este post tem 2 comentários

  1. posso eu ser a sua afilhada? Coisa linda Flávio, me emocionei!

    1. Madrinha querida que muito me inspira!

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