Oração pela pátria

Para um católico um dia patriótico é um dia especial para elevar a Deus orações pela pátria e de fazer memória de suas raízes. Nós vemos a pátria especialmente de três formas:

  1. Como um dom de Deus, como uma disposição de sua Providência, pela qual Ele quis que nós nascêssemos, não por acaso ou por casualidade, senão como filhos de uma família, de um sangue, de uma cultura, de uma tradição, e que nascêssemos em um lugar do mundo que para nós leva o nome de Brasil, e neste momento da história. Isso não é casualidade, é providencia de Deus. E Deus ao pôr-nos aqui neste lugar, nos confiou uma missão que tem muito a ver com nossa salvação eterna. Porque a Pátria celestial temos que conquistar aqui, com nossa presença e com nossa ação como cristãos nesta pátria terrena.
  2. Vemos a pátria como uma herança, como algo que não nos pertence, como algo que recebemos de nossos pais, aos quais devemos ser fiéis, aos que fizeram essa pátria com suor, com sangue, com heroísmo. E essa pátria é algo que devemos transmitir aos seus novos filhos: não nos pertence, não é nossa, é uma herança, é uma tradição, é uma transmissão. De nossa fidelidade a essa tradição, a essa transmissão iremos prestar contas a Deus.
  3. Vemos, em terceiro lugar, a nossa pátria ferida em seu corpo e em sua alma por todas aquelas coisas e pessoas que a corrompem, que degradam sua origem, tradição, cultura. Vivemos em plena revolução cultural marxista que através dos governos, meios de comunicação, meios de cultura e educação, quer lavar o cérebro e a alma dos brasileiros.

Tudo isso deve incentivar-nos à oração. Para que nos demos conta de que as ideologias, os meios de comunicação e até as leis injustas e ilegítimas estão destruindo a família e os bons costumes; para que nos demos conta de que fabricam propagandas e notícias mentirosas que moldam o cérebro da maioria das pessoas. Então, temos que rezar. Quem deixaria de rezar por sua mãe enferma e de confiá-la à misericórdia de Deus?

Deveres de promoção do bem comum

O dever geral para com a pátria se designa com o termo «patriotismo», quer dizer, «o amor e a piedade à pátria, terra de nossos antepassados». Manifesta-se principalmente de três modos:

1) Amor de predileção sobre as demais nações, conciliável, entretanto, com o respeito a todas elas e a caridade universal.

2) Respeito e honra para com sua história, tradição, instituições, idioma e símbolos.

3) Serviço, que consiste principalmente no fiel cumprimento de suas leis legítimas, sobretudo, as relativas a tributos justos, condição para o crescimento e engrandecimento; no desempenho desinteressado e leal dos cargos públicos que exige o bem comum; no serviço militar, etc.

Ao verdadeiro patriotismo se opõem dois vícios:

1) Por excesso, o nacionalismo exagerado, chamado às vezes «chauvinismo», que engrandece desordenadamente a própria pátria como se fosse o bem supremo e despreza os outros países injustamente e inclusive com injúrias. Algumas de suas manifestações são a xenofobia, a discriminação racial, a idolatrização de símbolos ou elementos pátrios.

2) Por defeito, o internacionalismo dos homens sem pátria que desconhecem a sua própria nação com o falso argumento de serem “cidadãos do mundo”.

Virtudes que nos obrigam com relação a pátria

Há três virtudes que obrigam a todo cristão em relação a sua pátria:

1) A piedade. Essa virtude nos leva a servir, honrar e reverenciar aos pais e à pátria “pois deles e nela nascemos e somos criados, pelo qual, diz Santo Tomás de Aquino: “Depois de Deus é aos pais e à pátria a quem mais devemos”.

Isto é o que queremos ressaltar quando chamamos o lugar onde nascemos com o termo “pátria”. O termo “pátria”, derivado de “patres” (pai), faz-nos olhar para o passado, para quem é princípio de nossa existência. Pais são aqueles de quem recebemos não só a vida, mas também o alimento, a raça, a língua, a cultura, a religião.

2) A justiça que nos ordena a colaborar com todos os que vivem em nossa pátria para o bem comum.

Neste sentido nos referimos à pátria com o termo de “nação”. A nação é o lugar onde nascemos. Isto nos faz olhar, nem tanto ao passado, mas sim ao presente, a todos aqueles que providencialmente Deus quis que compartilhemos nosso tempo de existência.

A justiça legal nos recorda que em relação a nossa nação temos uma missão, uma responsabilidade. Ensina-nos que devemos nos sobrepor às tentações do individualismo e procurar o bem comum, o bem de todos. Devemos “fazer o bem” a nossa pátria. Cada um no que Deus lhe manda e lhe pede. Rezando, trabalhando, sacrificando, ensinando a verdade. Nós temos fé e, como homens de fé, sabemos que uma nação é grande quando dá Santos, quando gera Santos. Nós podemos engrandecer diante de Deus e diante dos anjos a nossa terra fazendo-nos Santos.

3) A caridade. Dizia Santo Agostinho: “Ama a teus pais, e mais que a teus pais a tua pátria, e mais que a tua pátria, a Deus”. A pátria, pois, tem que ser amada em caridade.

A Deus sobre todas as coisas e depois de Deus a pátria onde nascemos, mas com amor verdadeiro. Dizia Chesterton que “o amor aos homens é o contrário de um amor filantropo”. Porque o filantropo ama “a humanidade”, mas “a humanidade” não existe. Existem os homens concretos: sujos, pobres ou ricos mas cheios de misérias, de defeitos, a eles que devemos amar.

Estamos chamados a amar a nossos consanguíneos. Com um amor afetivo, quer dizer, encontrando complacência nas coisas que nos identificam: nossa língua, nossos símbolos, nossas tradições. Mas, sobretudo, com um amor efetivo, ou seja, capaz de fazer grandes coisas e de sacrificar-se, e até morrer se for necessário. Mas tem que ser também um amor crítico: quer dizer, que devemos nos comprazer só no bem e não nas misérias que como todos os homens temos; não nos comprazer nas trivialidades ou em nossos defeitos, isso é chauvinismo, é algo falso e nefasto para nossa mesma pátria.

Este amor, entretanto, está subordinado ao amor a Deus. E por isso, nós como missionários, devemos estar dispostos, por amor a Deus e por amor às almas, a sacrificar a nossa pátria, para ir onde Deus nos chama. Não por isso deixamos de amá-la, como amamos a nossos pais embora por Deus nos separemos deles. Onde estejamos, ainda amando de coração aquele lugar onde Deus nos pede que estejamos, nunca esquecemos a nossa pátria, e por ela rezamos, sacrificando-nos e oferecendo-nos a Deus, para purificá-la e santificá-la.

Rezemos por nossa Pátria que tanto necessita de Deus. Que Nossa Senhora, dê-lhe a graça da conversão, e que nela possa reinar Jesus Cristo. Assim seja.

 

Oração ao Santo Anjo do Brasil pela Pátria

Santo Anjo do Brasil, vós fostes encarregado pelo Pai Eterno de guardar esta Terra de Santa Cruz e ajudá-la a crescer e desenvolver-se conforme Seus desígnios benevolentes.

Nós cremos no vosso poder junto de Deus e confiamos na vossa prontidão em socorrer-nos. Sede, pois, nosso guia para que cumpramos convosco a nossa missão no mundo.

Ajudai a Igreja no Brasil a anunciar Cristo com franqueza e alegria e penetrar toda a sociedade com o fermento do Evangelho.

Afastai, com a força da Santa Cruz, todos os poderes inimigos que ameaçam o povo brasileiro.

Unimos as nossas preces às vossas. Apresentai-as diante do Trono de Deus, para que, unidas ao sacrifício de Jesus, oferecido diariamente em nossos altares, alcancem aquelas graças que mais precisamos nesta hora de combate espiritual.

E guardai-nos sempre debaixo do manto protetor de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e Rainha, para que permaneçamos fiéis no caminho de Jesus, o único que nos conduz da terra ao Céu. Lá na assembleia de todos os povos, unidos como uma só família de Deus, louvaremos e agradeceremos convosco ao Pai Eterno, com seu Filho e Espírito de Amor, por toda a eternidade. Amém.

Padre do Instituto do Verbo Encarnado.

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